O AMOR QUE COMEÇA EM TI
Andrea Costa, Psicóloga
Quando falamos sobre o mês de fevereiro, o discurso dominante convida-nos, de forma inconsciente, a pensar no outro: nas relações amorosas, nos gestos românticos, nas dedicatórias de amor.
Para variar um pouco, venho convidar-te a pensar em ti. Isto porque, antes de amares alguém, precisas de aprender a amar-te a ti próprio.
Tal como nos vários tipos de amor, o amor próprio é feito de encontros e desencontros, de aceitação e conflito. No entanto, muitas vezes, colocamos no outro a responsabilidade daquilo que ainda não conseguimos alcançar dentro de nós, como a validação, reconhecimento, aceitação, segurança, entre tantos outros.
Esta lógica aparece de forma muito clara quando refletimos sobre a nossa relação com o corpo. Cada vez mais existe uma pressão para que todos os corpos encaixem nos mesmos parâmetros, desconsiderando como te sentes no teu próprio corpo. Somos inundados pelos media, pelas redes sociais, pela cultura e até por discursos familiares que insistem num certo tipo de corpo, numa aparência quase divina, feita à medida. Mas como seria possível termos todos o mesmo corpo?
A verdade é que a nossa imagem corporal constrói-se de forma multidimensional, a partir dos nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos em relação aos nossos atributos físicos. Ainda assim, assistimos a uma preocupação excessiva com padrões de beleza, que alimenta uma procura insaciável por um corpo belo ou perfeito. E aqui surge uma questão essencial: como se definem, afinal, os corpos belos e perfeitos?
Se olhares com atenção, percebes que esses corpos são feitos exatamente do mesmo material que todos os outros: histórias, experiências, marcas, emoções e singularidades.
O mesmo acontece nas relações amorosas. Quando não há espaço para o amor próprio, o outro pode transformar-se num espelho exigente, onde exigimos e procuramos constantemente validação. Amares-te não significa fechares-te no outro, mas sim relacionares-te a partir de um lugar menos dependente e mais consciente.
O convite que venho fazer neste Dia dos Namorados é: olha para ti com a mesma empatia, cuidado e curiosidade que costumas dar a quem amas. Reconhece que não existem corpos perfeitos, relações perfeitas ou amores ideais — existem pessoas reais, com formas únicas de sentir, amar e existir.





