MUNDO SENSORIAL: QUANDO TUDO É DEMASIADO OU INSUFICIENTE

Luana Constantino, Terapeuta Ocupacional

É fundamental falarmos acerca de algo que na maioria das vezes não se consegue ver, mas que influencia de uma forma acentuada o dia a dia: o processamento sensorial na Perturbação do Espetro do Autismo.

Para inúmeras crianças, o mundo não é simplesmente “normal”. Pode ser visto como confuso, intenso, silencioso demais ou até mesmo tudo isto ao mesmo tempo.

Quando Tudo É Demasiado

Algumas crianças experienciam o mundo de uma forma amplificada – sons, cheiros, luzes ou texturas podem ser reconhecidos como excessivos. Ambientes com muitas pessoas podem gerar ansiedade, o ambiente de uma sala de aula pode ser avassalador, luzes fortes podem ser difíceis de tolerar ou determinadas roupas podem causar desconforto constante. Nestes momentos, o que para uns é algo comum, para outros é algo muito difícil de suportar.

Quando Tudo É Insuficiente

Por outro lado, podemos ter outras crianças, que necessitem de uma maior quantidade de estímulos, de modo a que se sintam presentes e organizadas. Estas crianças podem apresentar comportamentos como: procurar movimento (correr, saltar ou rodar) e/ou experiências sensoriais mais intensas, gostar de pressão (abraços fortes, apertar objetos) e não apresentar uma reação imediata à dor. Estas respostas não são um exagero da própria criança, mas sim, formas que o corpo encontra de atingir um equilíbrio.

Cada criança com PEA é única. Podem verificar-se sensibilidade a uns estímulos e ao mesmo tempo procura por outros. O que é confortável para uma, pode ser desafiante para outra. E este padrão não tem de ser necessariamente linear, pode sofrer alterações ao longo do dia, consoante o cansaço, o ambiente e as exigências.

 

Quando conseguimos ver para além do comportamento e conseguimos analisar o que a criança está a sentir, abrimos espaço para respostas mais ajustadas:

  • Criar espaços mais seguros e previsíveis

  • Preparar antecipadamente mudanças ou ambientes novos

  • Respeitar sinais de desconforto

  • Reduzir estímulos quando necessário

Pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença! Porque às vezes não é a criança que se tem de adaptar ao mundo, é o mundo que pode aprender a adaptar-se à criança.

 
 

@terapiaaoquadrado

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