MITOS SOBRE CAA
Inês Januário, Terapeuta da Fala
Com o avançar dos tempos, cada vez mais se tem falado acerca da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). Mas, afinal, o que é isto?
A CAA engloba um conjunto de métodos, estratégias e instrumentos utilizados com o intuito de potenciar a comunicação, aumentando a eficácia e funcionalidade das Pessoas com Necessidades Comunicativas (Liberalesso, Salvan & Paisca, 2020, citados por Pais, 2022). Esta pode ser de carácter temporário ou permanente e tem como principal objetivo permitir que os indivíduos com comprometimentos na compreensão ou expressão comuniquem autonomamente, de forma funcional, nos seus diversos contextos (ASHA, Sapage et al, 2018; Pereira et al, 2020). Esta podem substituir ou complementar a fala, dependendo das necessidades, aumentando a participação e envolvimento da Pessoa na sociedade (ASHA, Sapage et al, 2018; Pereira et al, 2020).
A CAA é considerada uma ferramenta de carácter multimodal, uma vez que engloba inúmeros métodos de comunicação; envolve vocalizações ou fala do próprio utilizador, expressões faciais, gestos, símbolos, entre outros (Cress & Marvin, 2003; Tetzchner e Martinsen, 2000; ASHA, 2018, citados por Sapage et al, 2018).
No entanto, até aos dias de hoje, ainda surgem algumas incertezas, dúvidas e hesitações quanto à sua implementação. Vamos então abordar alguns mitos.
Utilizar CAA condiciona o desenvolvimento da linguagem e da Fala – MITO
Muitas Pessoas acreditam que a utilização de CAA atrasa a fala ou que impede mesmo o seu desenvolvimento. Ao longo dos anos e cada vez mais, existe evidência científica que comprova que esta afirmação é um MITO e não corresponde à realidade. Existem diversos estudos que demonstram que a CAA pode ser considerada um facilitador para o desenvolvimento da comunicação, linguagem e fala havendo também um aumento das produções orais associado (Ferreira, Ponte e Azevedo, 1999, citados por Pereira, 2016; Romski & Sevcik, 2005; Cress & Marvin, 2003, Millar et al, 2006, citados por Sapage et al, 2018). A fala é algo bem mais complexo do que aquilo que aparenta. Existem inúmeros estudos que comprovam que a utilização da CAA é algo que realmente potencia e aumenta as probabilidades de desenvolver fala (Liberalesso, Salvan & Paisca, 2020, citados por Pais, 2022).
A CAA é dos últimos recursos a utilizar na intervenção em fala e linguagem – MITO
A CAA serve de suporte para o desenvolvimento de diversas competências comunicativas e linguísticas, suportando situações de interação e relação (Lewis & Greenspan, 2005). A sua introdução deve ser feita logo que seja detetada alguma dificuldade comunicativa, pois é uma ferramenta que promoverá a comunicação e, por sua vez, o desenvolvimento de competências inerentes à mesma (Romski & Sevcik, 2005; Cress & Marvin, 2003, citados por Sapage et al, 2018). A sua utilização deve ser considerada o quanto antes, pois pode evitar que a criança não seja bem-sucedida nos domínios da comunicação e desenvolvimento da linguagem, competências que se vão desenvolvendo paralelamente (Romski & Sevcik, 2005).
A utilização de CAA não é impedimento para o desenvolvimento da fala e da linguagem, é sim um complemento e um potenciador para que tal aconteça. A sua utilização deve ser abordada em equipa, tendo em conta todos os intervenientes no processo terapêutico (pais, educadores, técnicos...).
Bibliografia:
Pais, S. (2022). A Importância da Comunicação Alternativa e Aumentativa na Inclusão Escolar. Porto.
Pereira , J. (2016). A Comunicação Aumentativa e Alternativa enquanto fator de inclusão de alunos com Necessidades Educativas Especiais. Lisboa .
Romski, M., & Sevcik, R. (2005). Augmentative Communication and Early Intervention - Myths and Realities. Infants & Young Children.
Sapage, S., Cruz-Santos, A., & Fernandes, H. (2018). Comunicação Aumentativa e Alternativa em crianças com Perturbações Graves da Comunicação: Cinco Mitos . Revista Diálogos e Perspetivas em Educação Especial .







