DIA DO PAI
Andrea Costa, Psicóloga
Crescer é descobrir de onde vêm certas partes de nós. Muitas destas partes têm origem nas pessoas que estiveram connosco desde o início da nossa vida, especialmente nos nossos pais. Sendo que hoje, porque se celebra o Dia do Pai, convido-te a olhar em particular para essa relação.
A determinada altura, damos por nós a repetir uma frase muito usada por ele, a reagir da mesma forma perante um problema ou até a trabalhar como ele… E percebemos: isto vem do meu pai. Não herdamos apenas os olhos ou o sorriso. Herdamos também formas de amar. Maneiras de estar no mundo. De trabalhar. De falhar. De lidar com as emoções. Ou até mesmo as crenças podem-se manter semelhantes.
E se eu te perguntasse: Que característica herdaste do teu pai? O que responderias?
Talvez o sentido de humor. Talvez a calma. Ou a teimosia. Ou até a dificuldade em falar sobre o que sentes. Para algumas pessoas, esta pergunta traz memórias pouco positivas. Para outras, traz silêncio ou ausência. Às vezes herdamos coisas bonitas, que nos dão força e segurança. Outras vezes herdamos pesos — exigências, silêncios, medos.
Há pais muito presentes.
Há pais que estiveram fisicamente lá, mas emocionalmente longe.
Há pais que fizeram o melhor que sabiam — mesmo que não tenha sido o que precisávamos.
E há também pais que não estiveram lá.
E crescer também é isto: perceber o que ficou em nós. Reconhecer o que nos faz bem. E escolher o que queremos manter… e o que queremos transformar.
Neste Dia do Pai, talvez a pergunta não seja só o que herdaste. Talvez a pergunta também seja, o que decidiste fazer com essa herança?
Fazer este caminho sozinho pode ser difícil. A psicoterapia pode ser um espaço seguro para olhar para estas heranças com mais clareza — compreender de onde vêm, dar lugar ao que ficou por sentir e construir novos significados. Conhecer a nossa história não nos prende a ela. Antes pelo contrário, dá-nos a possibilidade de a transformar.




