JUVENTUDE E SAÚDE MENTAL: O QUE OS JOVENS PRECISAM DE OUVIR

Ana Filipa Lamelas, Psicóloga

Ser jovem é viver uma fase marcada por mudanças, descobertas e novas possibilidades, mas também por dúvidas, inseguranças e desafios emocionais.

Entre expectativas, comparações e pressão para construir um futuro, nem sempre é fácil parar e perguntar: “Como é que eu estou, realmente?” Assinalar o Dia Mundial da Juventude é também uma oportunidade para refletirmos sobre a saúde mental dos jovens e sobre aquilo que, enquanto adultos, podemos fazer para os apoiar.

Mais do que dizer-lhes o que devem fazer, talvez seja importante perguntarmo-nos: o que precisam de ouvir?

“Não tens de dar conta de tudo.”

Ser jovem não significa ter de conseguir fazer tudo. Estudar, ter boas notas, manter relações, tomar decisões sobre o futuro e corresponder às expectativas dos outros pode ser, por vezes, demasiado. Sentir-se cansado, perdido ou sem saber qual é o próximo passo não significa estar a falhar. Ter dificuldades não diminui o teu valor.

“Não precisas de corresponder às expectativas de toda a gente.”

Vivemos numa sociedade onde a comparação é constante. Os jovens podem sentir que precisam de ter o percurso certo, as melhores notas, o grupo de amigos certo, uma determinada aparência ou um plano definido para o futuro. Mas cada pessoa tem o seu próprio ritmo. Não há problema em não saber ainda. Não há problema em mudar de ideias. Não há problema em fazer um caminho diferente.

“O que sentes é importante.”

Por vezes, emoções difíceis são desvalorizadas com um simples “é uma fase” ou “isso passa”. Mas ansiedade, tristeza, solidão, insegurança ou irritabilidade merecem ser ouvidas, sobretudo quando começam a interferir com o dia a dia. Não é preciso esperar que o sofrimento se torne insuportável para procurar ajuda.

“Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza.”

Pedir ajuda pode ser difícil. Alguns jovens têm medo de ser julgados ou de parecerem fracos. Outros podem nem saber explicar exatamente aquilo que estão a sentir. Mas procurar apoio é uma forma de cuidar de si. Falar com alguém de confiança, com um familiar, professor, amigo ou psicólogo pode ser o primeiro passo para compreender melhor o que está a acontecer.

“O teu valor não depende do teu desempenho.”

Notas, resultados, aparência, produtividade ou aprovação dos outros não definem quem somos. Um erro não define a nossa capacidade. Uma rejeição não define o nosso valor. Um momento difícil não apaga aquilo que somos e aquilo que já conseguimos alcançar. Os jovens precisam de sentir que são valorizados pelo que são, e não apenas pelo que conseguem fazer.

E nós, enquanto adultos?

Cuidar da saúde mental dos jovens também passa por saber ouvir. Nem sempre é necessário encontrar imediatamente uma solução. Às vezes, o mais importante é validar, mostrar disponibilidade e transmitir que não precisam de enfrentar as dificuldades sozinhos.

Por isso, talvez algumas das mensagens mais importantes que podemos deixar aos jovens sejam:

“O que sentes importa.”
“Não precisas de ser perfeito.”
“Podes pedir ajuda.”
“Não tens de passar por isto sozinho.”
“Eu estou aqui para te ouvir.”

Neste Dia Mundial da Juventude, que possamos criar mais espaços onde os jovens se sintam seguros para falar, crescer ao seu ritmo, cometer erros, pedir ajuda e construir o seu próprio caminho.

Cuidar da saúde mental também é fazer com que cada jovem saiba que não precisa de enfrentar tudo sozinho.

 
 

@terapiaaoquadrado

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