FAMÍLIA E AUTONOMIA

Andreia Nogueira, Terapeuta Ocupacional

A família tem um papel fundamental no desenvolvimento da criança, uma vez que é o primeiro ambiente onde esta consegue observar, imitar, experimentar e repetir atividades do quotidiano.

Assim, o superpoder da família é dar colo e suporte emocional, bem como capacitar a criança para um dia poder ser autónomo e independente.

O contributo da família passa por:

  • Criar oportunidades de participação-  em vez de substituir a criança, tentar instrui-la e permitir que ela faça partes da tarefa —  como: arrumar brinquedos, escolher roupa, pôr a mesa, preparar um lanche simples.

  • Respeitar o tempo de execução. Muitas vezes a autonomia desenvolve-se quando existe tempo para tentar, errar, repetir e aprender.

  • Oferecer o apoio necessário. O objetivo da família não é que a criança deixe de precisar da mesma, mas sim , ajudar na altura certa: dar pistas, organizar o ambiente ou simplificar etapas sem retirar iniciativa.

  • Estabelecer rotinas consistentes e previsíveis- Rotinas que facilitam a aprendizagem, antecipação e independência funcional.

  • Valorizar a tomada de decisão. Permitir escolhas no dia a dia ajuda a desenvolver iniciativa, responsabilidade e autoconfiança.

  • Generalizar aprendizagens. Por exemplo, as aprendizagens em meio terapêutico, ganham significado quando são usados em casa, na escola e na comunidade.

Estas pequenas grandes ajudas vão ter um enorme impacto no desenvolvimento da criança ao longo da sua vida.

Na infância, a família é a principal referência para aprender rotinas, autocuidado, comunicação, regras sociais e confiança para explorar. É nesta fase que se constroem bases importantes para a autonomia e para a participação nas atividades diárias.

Na adolescência, essas aprendizagens passam a influenciar a capacidade de assumir responsabilidades, organizar o tempo, tomar decisões, lidar com frustração, negociar limites e desenvolver identidade.

Na idade adulta, muitos padrões aprendidos em família continuam presentes na forma como a pessoa gere a casa, o trabalho, as relações interpessoais, a parentalidade e a resolução de problemas. Hábitos de organização, persistência, autocontrolo e iniciativa costumam ter raízes nas experiências familiares precoces.

Em síntese, na terapia ocupacional entende-se que a família funciona como o primeiro contexto de aprendizagem ocupacional: é onde a pessoa aprende não só o que fazer, mas também como participar, como decidir e como se conhecer e compreender a si a às suas capacidades ao longo da vida.

 
 

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