RESOLUÇÕES DE ANO IRREALISTAS
Andrea Costa, Psicóloga
O início de um novo ano costuma vir acompanhado de listas, metas e promessas: ser mais produtivo/a, mais disciplinado/a, mais feliz ou mais equilibrado/a…
Como se a mudança de ano trouxesse a obrigação de nos tornarmos uma versão melhorada de quem somos. Mas muitos destes objetivos já nascem difíceis de sustentar — não por falta de vontade, mas porque partem de exigências incutidas por terceiros ou até por nós próprios, ignorando a nossa realidade.
O conflito entre quem somos e quem achamos que deveríamos ser
Muitos destes objetivos podem surgir partir de um conflito interno. Esta imagem idealizada, que muitas das vezes nem é construída por nós, mas sim por expectativas sociais. Quando os objetivos se organizam a partir desse ideal, deixam de considerar o nosso cansaço, os nossos limites e o momento de vida em que estamos. Em vez de orientar, passam a ser um constante lembrete daquilo que nos falta.
Objetivos que se transformam em formas de punição
Há metas que não funcionam como convites ao crescimento, mas como mecanismos subtis de punição. São objetivos rígidos, sem margem para erro, que carregam implicitamente a ideia de que só teremos valor se conseguirmos cumpri-los.
Quando falhamos surge a culpa: “não fiz o suficiente, não me esforcei, não tenho força de vontade”. O objetivo, que supostamente deveria organizar o desejo, transforma-se numa fonte adicional de sofrimento.
Nestes casos, talvez valha a pena perguntar: este objetivo serve para cuidar de mim ou para tentar corrigir algo que considero defeituoso em mim?





